Hoje dia 05 de novembro, estive ensaiando, tentando não interromper o fluxo do do roteiro que imagino seguir no dia... um amigo (Arnold) morador atual da casa que eu morava na Vila Brandão, esteve me acompanhando tirando fotos, pediu... eu deixei... nem vi ainda o resultado...
Penso que subir a ladeira com os garrafões já é mapear onde está mais sujo, onde posso rolar sem me sujar tanto... ai, tomara que essa semana eu esteja forte... está chegando perto!
Durante a parte do futebol, um dos garrafões quebrou ao meio e reparei que os garrafões estão rachados - fiquei um pouco preocupada com as rachaduras do plástico que machucam se pegar no corpo, mas por outro lado, fiquei pensando que essas rachaduras são histórias de ensaios nos objetos... eles foram gastos por ensaios - não sei o que isso quer dizer, mas talvez é bom para mim ver o quanto que já joguei esses garrafões para cima... rsrsrs
Hoje fiquei pensando na relação dos homens da Vila com a minha presença constante - não posso ser ingênua - ao mesmo tempo estou num lugar que eles me respeitam por ser mulher e, ao mesmo tempo, me sinto muitas vezes objeto de desejo - fico pensando que isso é um lugar de reposicionamento que posso estar construindo no imaginário deles... sou a artista da Ladeira - isso cria um distanciamento e uma justificativa para o que estou fazendo... mas em alguns momentos me sinto vulnerável - não por causa do lugar (bairro) mas por causa do meu lugar de gênero (uma mulher). E é louco porque quem lida com arte e com dança começa a ter uma relação com o lugar do corpo que é até um pouco despojado, sem pudores... mas me sinto protegida pelas crianças (o que faço vira brincadeira) ou pelas pessoa que lá aparecem para me acompanhar - engraçado que sempre tive um pouco de raiva dessa condição do gênero feminino entre os homens... me lembro do meu pai nos bares querendo que eu desse bom dia aos bebuns... rsrsrsrs e eu sempre fui meio metidinha... porque me sentia olhada - eu achava que tinha que ser igual - falar que nem meu pai - e não ser especial porque eu era mulher... mas isso é só uma memória kkkkkkk
Hoje um morador me perguntou se eu jogava futebol... achei engraçado!! Sinal de que ele acha bom o futebol com os garrafões...
Bom, amanhã continuo - vamos nessa!! (um amigo meu - Carlos Castillo - que está assinando a fotografia) gosta dessa expressão - vamos nessa! (porque parece que falo pra mim mesma... é verdade!!)
Respirar pra subir e descer a ladeira novamente!!
Registros e reflexões sobre o processo criativo em dança contemporânea Ladeira de chuva (solo de Líria Morays). Esse solo compõe o projeto Arquipélago (oito processos artísticos de diferentes artistas do Coletivo Construções Compartilhadas com o apoio do prêmio Klauss Vianna - FUNARTE). Trata-se de um espetáculo na rua que está sendo criado na ladeira da comunidade Vila Brandão em Salvador - Bahia - Brasil.
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